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Mostrando postagens com o rótulo A Morte de Pedro Gonçalves

A Morte de Pedro Gonçalves - [COMPLETO]

O Escritor Já era noite. O dia tinha passado rápido demais. Nada de novo ocorrera na vida do homem.  Fumava na varanda de seu apartamento. Uma mulher o aguardava na cama, dormindo, com seu pagamento na cabeceira e com as roupas largadas no chão. Uma coluna de fumaça cinza correu pelos seus lábios e voou pelo horizonte escuro da cidade. As ruas, iluminadas pelos postes velhos e enferrujados, estavam desertas. Nenhuma alma viva passava por ali. Uma última tragada queimou superficialmente os dedos que seguravam o cigarro. Deixou as cinzas caírem das alturas, sendo levadas pelo vento bucólico da escuridão dilacerante. Sentia um imenso peso no peito. Precisava molhar a garganta. Levantou-se e deixou para trás a noite cálida de inverno. O quarto era iluminado apenas pela fraca luz de um abajur em sua escrivaninha, revelando a pele clara da mulher em sua cama. Passou por ela e alcançou a sala, onde pilhas e pilhas de livros obstruíam a passagem. Deu o melhor de si para a...

A Morte de Pedro Gonçalves - Parte VI [FINAL]

Acesse a Parte V O Escritor,o bêbado, a Prostituta e o delegado ao Fim Da Noite Pedro Gonçalves saltou do carro com o turbilhão de pensamentos perturbando seu ser. O delírio dos astros dilacerantes o assombravam naquela noite.  Há mais de duas horas saíra de seu apartamento, deixando para trás suas mágoas, sua incerteza e a própria vida. Trazia consigo uma garrafa de uísque barato. Saudou a noite e bebeu um gole. Estava em uma praça, sentado na beirada de um chafariz desativado. Gostava daquele lugar em especial. Fora lá onde tudo mudou. Conseguia, inclusive, visualizar a labareda de fogo no asfalto, consumindo sua alma e sua amada, Christiane. Christiane. O nome da mulher ainda fazia seus lábios formigarem. A verdade é que nunca havia superado aquela perda, traduzindo seu desgosto nas palavras sujas de textos despretensiosos e ofensivos, deformados na mente de um bêbado fracassado. Lembrou-se de seu primeiro conto naquela fase maldita. Era sobre um poeta traído ...

A Morte de Pedro Gonçalves - Parte V

Acesse a Parte IV Ao Fim da Noite Sílvia tentava se desvencilhar do sono. Tinha papéis jogados pela mesa com fotos, anotações e relatórios. As imagens saltavam em seu rosto e se misturavam com as letras bruxuleantes. Sentia-se só. Tão só quanto as personagens de Pedro Gonçalves, cujas histórias se desbotavam e caminhavam dos papéis para a imaginação da policial. Tinha sua mente focada especialmente em uma anedota peculiar. Era sobre um cara normal, certinho e careta. Pai de família, católico apostólico romano, com um bom emprego e bastante simpático. E, por isso, era extremamente chato. Se sua imagem era tão santificada e protegida pelas camadas superficiais de uma sociedade hipócrita e narcisista, na realidade o homem sofria de uma angústia profunda em si. Não suportava a rotina. O trabalho o sufocava de um lado, enquanto de outro sofria pelos suplícios da mulher. Até que, um dia, esse homem resolve fazer um caminho diferente de volta a casa. A rotina diária foi rompida pela...

A Morte de Pedro Gonçalves - Parte IV

Acesse a Parte III Cavalcante Cavalcante encontrou na delegacia um Ernesto velho e cansado. O delegado, que anteriormente havia o substituído, roncava apoiado na mesa da sala. Cavalcante entrou e acordou gentilmente seu amigo. Trocaram parcas palavras e se despediram. Sentou-se na cadeira do escritório e verificou as atualizações do dia. Denúncias de assalto, negligência policial, abusos familiares... nada de novo no front. Resolveu ligar para Sílvia. Queria saber sobre o caso de Gonçalves. ----------------------------- Sílvia e Fernando passaram o dia investigando sobre a vítima. Apesar de apenas suspeitar da identidade e não conseguir encontrar ninguém que pudesse comprová-la, a digital do polegar direito bateu com a ficha criminal de Pedro Gonçalves, preso algumas vezes durante a noite por ter ameaçado alguém após ter exagerado na bebida. A dupla separou as tarefas para cada um poder descansar minimamente. Fernando acompanhou o processo jurídico e legista para recon...

A Morte de Pedro Gonçalves - Parte III

Acesse a Parte II Verônica Verônica saiu do apartamento agarrando as jóias de diamante. O corredor do edifício era escuro, estreito e emitia um odor desagradável. Sua sombra era projetada na parede pela parca luz que vinha do apartamento de Pedro Gonçalves.  A noite já havia começado estranha. Todos os dias, exibia seu corpo na esquina da rua de um bar nobre, esperando um cliente rico e bêbado o suficiente para lhe pagar bem e para não lhe dar muito trabalho. E na maioria das vezes, tinha relativo sucesso. Faturava um bom dinheiro com sua carreira de profissional da noite. Muitas das vezes, aliás, se via como a própria personificação da penumbra, como se guardasse em si os segredos e os desejos do crepúsculo. No entanto, daquela vez, ao invés dos habituais carros de esporte que a vinham buscá-la, um calhambeque, com a lataria caindo aos pedaços, fora ao seu encontro. Era um homem grotesco, fedorento e rude. Verônica tentara se afastar da visão nefasta que a perseguia, at...