O Escritor Já era noite. O dia tinha passado rápido demais. Nada de novo ocorrera na vida do homem. Fumava na varanda de seu apartamento. Uma mulher o aguardava na cama, dormindo, com seu pagamento na cabeceira e com as roupas largadas no chão. Uma coluna de fumaça cinza correu pelos seus lábios e voou pelo horizonte escuro da cidade. As ruas, iluminadas pelos postes velhos e enferrujados, estavam desertas. Nenhuma alma viva passava por ali. Uma última tragada queimou superficialmente os dedos que seguravam o cigarro. Deixou as cinzas caírem das alturas, sendo levadas pelo vento bucólico da escuridão dilacerante. Sentia um imenso peso no peito. Precisava molhar a garganta. Levantou-se e deixou para trás a noite cálida de inverno. O quarto era iluminado apenas pela fraca luz de um abajur em sua escrivaninha, revelando a pele clara da mulher em sua cama. Passou por ela e alcançou a sala, onde pilhas e pilhas de livros obstruíam a passagem. Deu o melhor de si para a...
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